Nosso destino inicia a 14 km do Distrito de Lajeado Grande na localidade de Décio Ramos pela Rota do Sol, pertencente a São Francisco de Paula/RS.

Após 25 km de estrada sem pavimento, chegamos a terra de Batista Bossle, distrito de Cazuza Ferreira, autor do Dicionário Gaúcho Brasileiro, a mais completa obra de referência sobre o “idioma” dos gaúchos.
Nesta região na década de 40 a 60 ouve grande exploração de madeira principalmente a araucária que foi quase extinta, arvore símbolo dos Campos de Cima da Serra.
Isso fez com que houvesse uma vida social agitada e muito dinheiro circulando no Distrito de Cazuza Ferreira, nosso destino.
Muitas casas de madeira, algumas sem pintura, armazéns e vendendo de tudo desde alimentos em geral a medicamentos, o que você imaginar ali se encontra.

A vida social transcorre toda ao redor da Praça Central e onde encontramos o Hotel do Campo, que também é uma atração.

 Todo em madeira, atualmente administrado pelo Sr. Antônio e a Dona Neca, esta construção data de 1947.
Atrás do conhecido Hotel Avenida (hoje Hotel do Campo),  foi construído um pavilhão todo de madeira, com mais de 100 lugares e com camarote: era o Cine Serrano. Entre os filmes que passaram estavam o Gordo e o Magro, Mazzaropi e Coração de Luto, com Teixeirinha. O Cine Serrano fechou em 1968.
Está nos planos do casal de restaurar o cinema. Seria uma bela atração turística para a região.
Aqui ocorrem também as Cavalhadas, umas das tradições mais antigas do Estado e que simula a luta entre mouros e cristãos, batalha ocorrida no ano de 785, na França. O espetáculo tem mais 120 anos de existência nesta localidade que hoje no pequeno vilarejo não deve contar com mais do que 350 moradores.


Conheça também a Igreja de Santa Maria do Belo Horizonte.
Conta a história que Francisco Luiz Antônio, conhecido como Chico Mestre, cidadão extremamente religioso começou a servir o povo como capelão lá pelos anos de 1889.
Vendo o abandono em que se achavam os católicos deste rincão, resolveu organizar um cemitério e uma capela e mandou vir de Caxias do Sul a imagem da padroeira. O povo começou a chama-la de Santa Maria por ser uma imagem de Nossa Senhora e pelo horizonte que se descortina da porta da Igreja, acrescentaram do Belo Horizonte.
Como o título do Livro de Batista Bossle mesmo diz, “Cazuza Ferreira Tem História para Contar”, este vilarejo é um registro de um pouco das memórias do Rio Grande.
Até o próximo destino.

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